20080922

A Gramática Nua e Crua

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade,começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoas do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou, e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente.

Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

Infelizmente, quem me mandou o e-mail com este texto, há alguns anos atrás, não citou a fonte... Se eu achar mais tarde, coloco aqui. ;)

20080917

Gentoo e distfiles

Ainda no assunto do Gentoo, um problema que sempre tive diz respeito ao diretório distfiles (/usr/portage/distfiles), que é onde o portage armazena os arquivos baixados da Internet para compilar e instalar os programas.

Como se pode imaginar este diretório tende a crescer indefinidamente. O meu hoje estava com 6.8G, onde era possível achar coisas tipo:

linux-2.6.19.tar.bz2
linux-2.6.23.tar.bz2
linux-2.6.24.tar.bz2
linux-2.6.25.tar.bz2
linux-2.6.26.tar.bz2
Isso só pra falar do kernel, sem contar com as versões do KDE, do firefox, do VirtualBox e outros programas tão pesados quanto. Eu gosto de manter sempre os arquivos relacionados às versões instaladas no HD, por questão de recompilar, mudar flags, etc.

Eu cheguei a testar vários scripts para limpar o distfiles, mas nenhum deles foi tão eficiente quando poderia. Cheguei até a apelar e, com uma conexão boa (ou uma noite de download), mandar ver no 'rm -rf /usr/portage/distfiles/* && emerge -fevD world'.

Hoje eu saí com uma alternativa não tão drástica, mas eficiente apesar de trabalhosa. Instalei um servidor FTP, optei pelo vsftpd que é bastante seguro e rápido o suficiente de se configurar. Depois movi todo o conteúdo do /usr/portage/distfiles para o /home/ftp/distfiles. Editei o /etc/make.conf e acrescentei a linha:
GENTOO_MIRRORS="ftp://127.0.0.1"
e depois foi só rodar o 'emerge -fevD world' e ver os arquivos que são realmente necessários serem copiados de volta para o diretório do distfiles no portage e remover o que sobrou no /home/ftp/distfiles. Ganhei pouco mais de 5G de espaço em disco... ;)

20080916

Gentoo Overlay

Já tem um bocado de tempo que uso o Gentoo como minha distribuição de uso diário. O Gentoo é uma distribuição que não tem um "gerenciador de pacotes", como o rpm ou dpkg, como é uma distribuição baseada em source codes ela tem um sistema que permite automatizar o processo de baixar o pacote, compilar e instalar no sistema, respeitando as dependências e até mesmo comportando mais de uma versão de um mesmo pacote no sistema.

Ao longo dos vários anos que uso o sistema, por diversas vezes tive que fazer e/ou modificar alguns ebuilds para atender a alguma necessidade momentânea ou mesmo uma curiosidade de alguma versão mais atual de algum programa.

Aproveitando o sistema de hospedagem de projetos open source do Google, resolvi hospedar meus overalys. Atualmente eles são poucos, já que a maioria dos pacotes que eu tinha modificado/acrescentado já entraram na árvore oficial.

Meu overlay está hospedado em http://code.google.com/p/gentoo-ffb e pode ser baixado usando svn.

;)

20080903

Sumiço

É... dessa vez eu demorei mesmo pra colocar alguma coisa por aqui. Mas o trabalho anda uma loucura, o bom é que tem previsão e, quem sabe, até data marcada pra situação melhorar.

Vou passar de uma função operacional para função de gestão, hoje estou acumulando as duas e vou dizer uma coisa, não é nada nada fácil. Nem o GTD tem conseguido me ajudar muito, tenho ficado dias sem "encontrar" com minha família... saio de casa eles estão dormindo, chego em casa eles já foram deitar. E os finais de semana não estão sendo muito diferentes.

Na última segunda-feira, tirei uma "folga". Passei o dia inteiro ao telefone resolvendo problemas de trabalho e ainda perdi 8 horas do meu banco de horas. Maneiro, não?

Uma semana e meia e as coisas devem melhorar, ou pelo menos começar. :-)